sábado, 18 de novembro de 2017

Os hóspedes de agosto

Por Pádua Sousa / Diário da Matriz

A Festa de São Bernardo é para o bernardense um misto de fé, festa e família; não necessariamente nesta ordem de importância para todos. Há os que priorizam os últimos elementos dessa lista, mas a figura do Cisterciense é a referência maior. Não fora ele, nosso Agosto seria tão somente um mês de efemérides tristes, como são pelo mundo afora.
Com o passar do tempo, os hábitos mudaram e essas mudanças alcançaram nosso festejo. Na minha infância não se tinha a facilidade de transporte de que hoje dispomos. Não tinha estradas, porque carros não existiam.
Os romeiros, mesmo os dos povoados mais próximos, não podiam voltar para casa após as cerimônias religiosas. Estes formavam com os que vinham de cidades distantes e de outros Estados, os “Hóspedes de Agosto”. Todas as casas tinham os seus.
A nossa, transformava-se em hospedaria. Minha mãe, já no mês de julho, começava o balanço. No quintal, somavam-se os capões, os perus, as leitoas; em casa: as redes, os lençóis, as cordas, as toalhas de banho e de rosto.
Hospedar era um rito. Tinham os hóspedes de lugares cativos e ninguém os ocupava antes da certeza de que eles não viriam. Essa certeza só se confirmava com a chegada da procissão. Aí, já era o fim da festa.
Um dos grandes problemas do hospedar não era a comida, mas a dormida. Alguns, precavidos, traziam suas redes. Outros vinham sem nada, eram os perigosos: para esses toda rede poderia ser a sua, desde que estivesse desocupada. Nessa peleja, alguns escondiam as redes que traziam ou as que lhes tinham sido emprestadas. Muitas dessas escondidas iam embora com escondedor.
Eram frequentes os turnos de sono. Os mais novos que se aventuravam na noite sabiam que se voltassem antes do galo cantar, dormiriam no chão. Por isso, enfrentavam a madrugada e só retornavam com o sol desperto, quando era provável encontrar uma rede livre. Os mais velhos dormiam cedo, não iam aos bailes, mas os seus sapatos costumavam ir nos pés de outro bailarino.
Uma norma inviolável da hospedagem era a fidelidade. Jamais um hóspede mudaria de casa. Só motivos relevantes e imperativos justificariam tal desfeita. Tanto era assim, que nos leilões, nos cadernos de anotação das joias arrematadas, se pairasse alguma dúvida sobre a identidade do arrematante, resolvia-se com o adendo: “hospede de fulano de tal”.
Conheciam-se os hóspedes pelos os hospedeiros. Era a norma. Esse era do seu Coutinho, aquele do seu Lino, aquele outro de seu Bernardo Lidú, ou do Saint-Clair e por aí, ia. Uma verdade era inconteste: hóspedes, em Agosto, ricos ou pobres, todos tinham os seus.
Mesmo o Abundim, que não era afeito a arroubos sociais, tinha os seus. Esses, entretanto, sabiam que se não trouxessem redes se dariam mal. É que o velho comerciante, embora tivesse uma loja com prateleiras sortidas de redes, não deixava que nenhuma delas saísse de onde estavam para ser armada, se alguém que não pagasse por isso.
Aos que chegavam desprevenidos restavam as redes de tucum, armadas na varanda da casa que dava para o curral das vacas, e o frio das madrugadas de Agosto.
Quando o dia amanhecia, descia aquela fila de romeiros mal dormidos em direção ao Rio Buriti para as abluções matinais.
Todos tinham algo em comum: traziam tatuados nas costas os losangos desenhados pelos nós e cordas das redes de tucum durante a noite de pouco sono. Seu Bernardo Lima, amigo e vizinho do anfitrião, um dos mais espirituosos gozadores da Matriz ao ver aquelas costas marcadas, não deixava por menos: “Lá vão os hóspedes do Edmundo”.


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Posse Canônica


É com muita satisfação que anuncio minha nomeação como Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, distrito Nenelândia, município de Quixeramobim-CE. Minha posse canônica será no dia 06 de janeiro de 2018, às 17h. Conto com vossas orações!

sábado, 4 de novembro de 2017

Primeiras Missas Solenes


13/12/2017
Matriz de São Francisco [19h]
(Quixeramobim-CE)

17/12/2017
Santuário São Bernardo [19h]
(São Bernardo-MA)

20/12/2017
Matriz de São Bernardo [19h]
(Anapurus-MA)


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Ordenação Sacerdotal



Com grande alegria anuncio que serei ordenado SACERDOTE no dia 12 de dezembro, solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe, na Sé Catedral de Quixadá. Na mesma ocasião serão ordenados diáconos o seminarista Carlos e os irmãos Severino e Márcio. Desde já conto com vossas orações a fim de que Deus leve à plenitude a obra começada! Minha Primeira Missa Solene será celebrada na Matriz de São Francisco, Paróquia São Francisco de Assis, Quixeramobim, dia 13/12, às 19h!


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Algumas referências para pesquisa sobre a história da Freguesia de São Bernardo do Parnaíba

FONTES MANUSCRITAS

a)      Arquivo Arquidiocesano de São Luís - AASL

Matrícula Geral do Clero. São Luís, 1822.

b)     Arquivo Paroquial de São Bernardo - APSB
                                           
Ata de fundação do Apostolado da Oração. São Bernardo, 1922.

Livro Ata da Pia União das Filhas de Maria. São Bernardo, 1931.

Livro Tombo. Relatório da morte do Cônego Nestor de Carvalho Cunha. São Bernardo, 07 de outubro de 1970. p. 2-5v.

Relatório da Academia. São Luís, 1924.

c)      Arquivo Público do Estado do Maranhão – APEM

Ofício da Câmara Municipal de Brejo ao presidente da Província do Maranhão. Inventários de documentos de Brejo. Brejo, 1842.

Mapa dos batizados, casamentos e óbitos. Almário-Letra B. São Bernardo, 1848.

Mapa dos batizados, casamentos e óbitos. Almário-Letra B. Maço nº 118. São Bernardo, 1849.

Mapa dos batizados, casamentos e óbitos. Almário-Letra B. Maço nº 126. São Bernardo, 1850.


OUTRAS FONTES

ALMEIDA, João Mendes de. Algumas notas genealógicas. Livro de família. São Paulo: Typographia Baruel, Pauperio & Companhia, 1886. Disponível em: <http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/518647>. Acesso em: 20 fev. 2017.

AMARAL, José Ribeiro do. Limites do Maranhão com o Piauhy ou Questão da Tutoya. São Luis: Imprensa Official, 1919.

______. O Estado do Maranhão em 1896. Maranhão, 1897.

BIBLIOTECA NACIONAL. Mappa das Cidades, Villas, Lugares e Freguezias das Capitanias do Maranhão e Piauhy com o número em geral dos abitantes das ditas capitanias, e em particular de cada huma das povoaçoens, e da distancia em que ficão da capital, vindo-se pela noticia dos mortos e nascidos, no conhecimento do augmento da população desde XIII de fevereiro de MDCCLXXXIII, athe XVII de dezembro de MDCCLXXXVII, que foy o tempo que as governou Joze Telles da Silva. Setor Cartografia. Maranhão, 1787. Disponível em: <http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_cartografia/cart543219/cart543219.jpg>. Acesso em: 20 fev. 2017.

______. Mapas estatísticos relativos à Capitania do Maranhão no ano de 1798: casamento, nascimento, mortes etc. Maranhão, 1798. Disponível em: <http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_manuscritos/mss1458286/mss1458286.pdf>. Acesso em: 21 fev. 2017.

COPIADOR de cartas particulares do Senhor Dom Frei Manuel da Cruz, bispo do Maranhão e Mariana (1739-1762). Transcrição, revisão e notas por Aldo Luiz Leoni. Brasília: Senado Federal, 2008. (Coleção Edições do Senado Federal, vol. 108)

IPHAN. Inventário Nacional de Bens Móveis e Integrados: Igreja de São Bernardo, São Bernardo. vol. 13. São Luís, 1999.

LIMA, Maria Elisabete de Almeida. São Bernardo de Claraval. In: PARÓQUIA SÃO BERNARDO. Livro de cantos do festejo. São Bernardo, 1996.

PAULO VI, Papa. Bula Pro Apostolico. Bula de criação da Diocese de Brejo, em 14 de setembro de 1971. Tradução juramentada de Joshuah de Bragança Soares. São Paulo, 1995.

PRAT, André. Notas históricas sobre as missões carmelitanas no extremo norte do Brasil (Séculos XVII e XVIII). Recife, 1941.


ANAIS E CATÁLOGOS

BIBLIOTECA NACIONAL. Anais da Biblioteca Nacional. vol. 67. Livro grosso do Maranhão. 2ª parte. Divisão de Obras Raras e Publicações. Rio de Janeiro, 1948. Disponível em: <http://objdigital.bn.br/acervo_digital/anais/anais_067_1948.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2017.

BOSCHI, Caio (Coord.). Catálogo dos Manuscritos Avulsos relativos ao Maranhão existentes no Arquivo Histórico Ultramarino. São Luís: FUNCMA; AML, 2002.

RIVARA, Joaquim Heliodoro Cunha. Catalogo dos Manuscriptos da Bibliotheca Publica Eborense. Tomo I. Lisboa: Imprensa Nacional, 1869. Disponível em: < http://purl.pt/819/5/b-181-v/b-181-v_item5/b-181-v_PDF/b-181-v_PDF_24-C-R0072/b-181-v_0000_capa-capa_t24-C-R0072.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2017.


BIBLIOGRAFIA

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BASTOS, Cláudio. Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1994.

CARVALHO, Elmar. Bernardo de Carvalho: o fundador de Bitorocara. 2. ed. Teresina: EDUFPI, 2016.

CARVALHO, João Renôr Ferreira de. Resistência Indígena no Piauí Colonial. Imperatriz: Ética, 2008.

CRUZ, Manuel Edmilson da. Comunidades Eclesiais de Base: seu espírito e vida de oração. 1980.

FERREIRA, Edgardo Pires. A mística do parentesco: uma genealogia inacabada. vol. 3/II (Piauí/Maranhão). São Paulo: Livraria Corrêa do Lago, 1993.

FERREIRA, Jurandyr Pires (org.). Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. 15.vol. Rio de Janeiro, 1959.

LAGO, Anderson de Carvalho. Brejo: aldeia dos Anapurús. São Luís, 1989.

LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. Tomo III. Rio de Janeiro: INL, 1943.

LIMA, Olavo Correia; AROSO, Olir Correia Lima. Pré-história Maranhense. São Luís: Gráfica Escolar S/A, 1989.

MACATRÃO, Roque Pires. História do Brejo dos Anapurús. São Luís: Lithograf, 2009.

MARQUES, César Augusto. Dicionário histórico-geográfico da Província do Maranhão. Rio de Janeiro: Cia Editora Fon-Fon e Seleta, 1970.

MEIRELES, Mário Martins. História da Arquidiocese de São Luís do Maranhão. São Luís: SIOGE, 1977.

______. História do Maranhão. São Luís: DASP, 1960.

MELO, Cláudio. Bernardo de Carvalho Aguiar. Teresina: EDUFPI, 1988.

______. Fé e Civilização. Teresina, 1991.

OLIVEIRA, Paulo. Panorama histórico de Tutóia e Araioses. São Luís, 1987.

PACHECO, Dom Felipe Condurú. História Eclesiástica do Maranhão. São Luís: SENEC, 1969.

SERRA, Maria de Lourdes Correia Lima. Coleção de Histórias. São Luís: Shalom, [2000?].

SOUZA, José Coelho de. Os jesuítas no Maranhão. São Luís: Fundação Cultural do Maranhão, 1977.

VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2000.

VAZ, Raimundo Nonato. São Bernardo Documentário: história da Matriz de São Bernardo, nossa terra, nossa gente. 4. ed. Sobral Gráfica e Editora Ltda., 2016.