segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Lançamento


Arraial Velho

Reginaldo Miranda
Da Academia Piauiense de Letras

Em face do debate que se travou para fixar a data de fundação da cidade de Campo Maior, no centro-norte do Piauí, publicamos no ano passado importante artigo sobre o assunto, porque fundamentado em documento irrefutável e bastante esclarecedor.
No entanto, no campo intelectual sempre há margem para discussões e novas descobertas. O homem como ser pensante que é, questionador por natureza, sempre suscitará novos pontos de debate, o que é bom, porque é do questionamento intelectual que nascem as grandes descobertas. Ao final do embate todos sairão vitoriosos porque, às vezes, ainda que uma tese não se confirme ela certamente suscitou o debate e com este o nascimento de outras teses e de outras descobertas.
De fato, no caso de Campo Maior onde sabemos que o fundador Bernardo de Carvalho morou em Bitorocara e depois aparece ao final de sua existência com domicílio no Arraial Velho, é de se questionar se não seriam a mesma localidade? Bitorocara não seria o primitivo nome do Arraial Velho?
Pois bem, em primeiro lugar no artigo anterior comprovamos com a expressão literal do documento, que a cidade de Campo Maior nasceu oriunda de uma fazenda de Bernardo de Carvalho, denominada Santo Antônio. Está lá a localização geográfica da mesma a não deixar dúvidas, assim esclarecendo o assunto. Esse fato está tão claro quanto a luz do sol ao pino do meio-dia.
No entanto, e o Arraial Velho? Por que Arraial? Por que velho? Não seria a primitiva morada de Bernardo de Carvalho?
Felizmente, também localizamos documento esclarecedor dessa situação. O Arraial Velho é quase tão antigo quanto Bitorocara, daí a origem do nome. E foi fundado não por Bernardo de Carvalho, mas pelo seu primitivo proprietário e primeiro mestre-de-campo da conquista do Piauí, Antônio da Cunha Souto Maior, morto pelos indígenas em 1713. E porque deixou dívidas, suas terras foram arrematadas em hasta pública por Bernardo de Carvalho. O Arraial Velho ficava, de fato, na margem esquerda do rio Parnaíba, altura hoje da cidade de São Bernardo, no Maranhão. Ali fixara morada Bernardo de Carvalho, depois que deixara a fazenda Santo Antônio, antiga Bitorocara, hoje cidade de Campo Maior, já erigida em sede de curato. Quem assim esclarece é o capitão da conquista Miguel de Carvalho e Aguiar, filho e herdeiro do arrematante Bernardo de Carvalho e Aguiar, em petição ao rei, no ano de 1733. Alega no petitório que ele e seu defunto pai tinham conquistado muitas terras ao gentio brabo, tanto no Piauí quanto no Maranhão; também, que além dessas terras por eles conquistadas, seu pai havia adquirido em arrematação judicial três fazendas que pertenceram ao falecido mestre-de-campo Antônio da Cunha Souto Maior, denominadas: Campo Largo (na margem do rio Parnaíba, limitando-se com o riacho Piranhas), Arraial Velho, com a contígua fazenda Nazareth (na margem do Parnaíba, lado do Maranhão, ambas com dez léguas de comprido e uma de largo) e São Francisco, sitas na Parnaíba, distrito das ditas conquistas do Piauí e Maranhão. Em face desse pleito, em 28 de janeiro de 1734, foi passada provisão ao ouvidor-geral do Piauí, Francisco Xavier Morato Boroa para tombar e demarcar as referidas terras, o de fato foi feito, concluído e confirmado cinco anos depois (AHU. ACL. CU 016. Cx. 2. D. 103).
Assim, o Arraial Velho e as duas outras fazendas pertenceram ao primeiro mestre-de-campo Antônio da Cunha Souto Maior, somente depois de seu óbito sendo arrematadas pelo seu sucessor no posto militar e, também, no domínio da terra. Este ali fixara residência, abandonando a primitiva Bitorocara, que já ia ganhando foros de urbe sertaneja, com a edificação da igreja e criação curato sob a invocação de Santo Antônio.
Em resumo, Bitorocara perdeu a velha denominação indígena e passou a denominar-se Santo Antônio, sendo hoje a cidade de Campo Maior, no Piauí. Ficava “no sertão dos Alongazes por evocação de Santo Antônio, em um riacho cujas vertentes desaguavam no rio Jenipapo”. Foi terra adquirida por Bernardo de Carvalho, por direito de conquista e povoamento (PT/TT/RGM/C/0008. Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 8, fl. 509v).
Por seu turno, o Arraial Velho ficava no Maranhão, onde hoje se situa a cidade de São Bernardo e foi fundada a fazenda por Antônio da Cunha Souto Maior. Ganhou essa denominação porque depois Souto Maior muda seu domicílio para o Piauí, fundando outro Arraial Novo, passando aquele a ser denominado Arraial Velho. Somente depois da morte de Souto Maior, em 1713, é que Bernardo de Carvalho o adquire em arrematação judicial e muda para lá seu domicílio, fundando a povoação que deu origem à cidade de São Bernardo. Portanto, Bitorocara não poderia ser o Arraial Velho porque em 1697, quando o padre Miguel de Carvalho indica ali o domicílio de Bernardo de Carvalho, essas terras ainda nem lhe pertenciam (AHU. ACL. CU 016. Cx. 2. D. 103).
Dessa forma, publicamos mais este esclarecimento sobre a fundação de fazendas por estes dois importantes militares do Piauí e Maranhão colonial. O assunto interessa a Campo Maior e a São Bernardo do Maranhão, assim como a todos os amantes da História.


FONTE: http://poetaelmar.blogspot.com.br/2018/01/arraial-velho.html

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

São Bernardo antigamente!



Elevação a Julgado


Gotas de mel: ensinamentos de São Bernardo


“Muito embora sejamos carnais e nasçamos da concupiscência da carne, é inevitável que a cobiça ou o nosso amor comece pela carne, que, se for dirigida para uma boa ordem e se, guiada pela graça, progredir nos graus que lhe dizem respeito, será finalmente aperfeiçoada pelo espírito porque primeiro não foi feito o que é espiritual, mas o que é animal, e o que é espiritual vem depois (1Cor 15,46)”.


(São Bernardo, Tratado sobre o amor de Deus, nº 39)

sábado, 30 de dezembro de 2017

Te Deum laudamus!

“Venite et videbitis” (Jo 1,39)

Louvo a Deus pelas inúmeras bênçãos e alegrias que Ele me concedeu ao longo deste ano de 2017:
- Fiz meu estágio pastoral, como seminarista, na Paróquia São Francisco de Assis, Maravilha, Quixeramobim. Quantas pessoas maravilhosas, literalmente, eu encontrei naquela paróquia. Muitas partilhas, vivências, sorrisos, desafios vencidos.
- Convivi com os funcionários da Cúria Diocesana, em Quixadá, no período em que lá estive como notário, e com eles construí sadios laços de amizade e afeto.
- Fui ordenado diácono no dia 12 de agosto!
- Publiquei meu primeiro livro em setembro: “Matriz de São Bernardo, de capela a santuário”, fruto do meu amor pela minha eterna Matriz e de anos de dedicação e pesquisa.
- Fui ordenado sacerdote no dia 12 deste mês, na festa de Nossa Senhora de Guadalupe.
- Celebrei minha primeira Santa Missa solene no altar da Matriz de São Francisco em Quixeramobim.
- Celebrei o Santo Sacrifício no santo altar da Igreja Matriz de São Bernardo do Maranhão, minha cidade natal, no último dia 17. Que benção! Mais feliz ainda por terem estado ao meu lado na concelebração Monsenhor Maurício, Frei Gilson Baldez e padre Flávio.
- Celebrei a Santa Missa em Anapurús, no dia 20, junto a pessoas tão amadas. Momento oportuno para recordar muitas lembranças agradáveis. Celebrei ainda, no dia seguinte, em Chapadinha, na Paróquia Cristo Rei. Muito bom poder estar com padre Joel, com os diáconos Felipe Oliveira, Francisco de Assis e com os seminaristas Marcos, Jerry e Gerre.

Por tudo isso, agradeço a Deus! Ele me resgatou e cuidou de mim, e neste ano de 2017, especialmente, manifestou, através de acontecimentos e pessoas, seu amor incondicional por mim!


A Cristo Jesus, e somente a Ele, seja a glória pelos séculos sem fim! Amém!


A minha cidadezinha

São Bernardo-MA
(Foto: Almeida Júnior)

Autor: Almeida Júnior
Rio de Janeiro-RJ

  Cadê a minha cidadezinha que, espremida entre o rio e o morro, vivia sua vida pacata e feliz?
  Cadê a minha cidadezinha, do rio cristalino e provedor que passava trazendo vida, encantamento e beleza ao cenário?
 Cadê a minha cidadezinha, na qual as portas nunca fechavam, pois as visitas sempre traziam felicidade?
  Cadê a minha cidadezinha, onde a falta de luz artificial, trazia o céu e as estrelas ao alcance das mãos?
 Cadê a minha cidadezinha, calma, silenciosa, acolhedora, festiva, que propiciava a troca de sentimentos?
 Cadê a minha cidadezinha, de casarões antigos, históricos, que valorizavam a arquitetura do lugar?
 Cadê a minha cidadezinha, de juventude alegre, feliz, divertida, que tinha o amor como princípio?
 Cadê a minha cidadezinha, de vida bucólica e simples, como as vestes ostentadas pelo Príncipe de Claraval?
 Cadê a minha cidadezinha, das brincadeiras ao luar, da lúdica infância e dos verdes sonhos?
 Cadê a minha cidadezinha das fogueiras, do aluar, das matracas e das belas fitas juninas, coloridas?
 Cadê a minha cidadezinha, de fisionomia conhecida, marcada por rostos que já não estão mais lá?
 A minha cidadezinha, por puro encantamento, mora intacta, bela e inabalável, aconchegada em mim.